Passo 12
Ajustar o motor de análise de veículos: os seis números que decidem tudo
Na primeira semana do módulo, e sempre que ele começar a gritar demais ou de menos. Os padrões vêm de fábrica e não conhecem a distância entre as suas câmeras — e é a distância que decide quase tudo aqui.
Antes de começar
- A maior distância entre duas câmeras suas, e quanto tempo se leva de uma à outra dirigindo normalmente. É desse par que sai o número mais importante da tela
- Se a sua operação é um condomínio, um pátio ou uma cidade. As três pedem números muito diferentes
- Que nada aqui é conclusão: o motor produz hipóteses ordenadas por quão improvável é a coincidência
Passo a passo
- 01
Toda a inteligência deste módulo sai de seis números, e eles ficam atrás deste botão. Os padrões de fábrica funcionam para começar e quase nunca são os certos para a sua operação.
- 02
O primeiro é a velocidade máxima considerada possível, e é o que manda no alerta de clone. O motor mede a distância entre duas câmeras, o tempo entre as duas leituras, e calcula a velocidade que seria necessária. Acima deste número, ele chama de fisicamente impossível.
Baixo demais e toda rodovia vira clone; alto demais e o clone real passa batido. Num condomínio, oitenta por hora já é absurdo; entre duas cidades, não é nem rápido.
- 03
Os dois seguintes são do comboio: a janela em segundos e o mínimo de ocorrências. Comboio é duas placas aparecendo juntas várias vezes, em câmeras diferentes — e a janela define o que conta como junto.
Janela larga num portão movimentado faz todo mundo virar comboio de todo mundo. O mínimo de ocorrências é o filtro que separa coincidência de hábito: duas vezes é acaso, oito não é.
- 04
Os três últimos ensinam o motor a aprender rotina: quantos dias mínimos de histórico, que tolerância de horário, e que percentual de dias repetidos faz um veículo virar comum.
É aqui que se define o que é normal para cada placa. Tolerância apertada transforma o morador que saiu meia hora mais tarde em anomalia; larga demais faz tudo parecer rotina, e aí nada se destaca.
- 05
Uma coisa que não está nesta tela e decide se ela funciona: as câmeras precisam ter coordenada no cadastro. Clone e comboio usam a distância entre elas — câmera sem coordenada simplesmente não entra na conta.
E as leituras em que a placa não saiu são ignoradas de propósito. Sem isso, dezenas de placas reais pareceriam estar sempre junto da mesma placa ilegível, e a lista de comboios viraria ficção.
Como conferir
Depois de ajustar, deixe uma semana e volte. O sinal de que está bom não é o número de alertas: é você conseguir olhar cada um e dizer por que ele apareceu. Se todo alerta exige investigação para descartar, os números estão frouxos; se nenhum alerta aparece numa operação movimentada, estão apertados — e vale conferir se as câmeras têm coordenada antes de culpar a configuração.
Se der errado
- Alertas de clone demais
- Quase sempre é a velocidade máxima baixa para a sua geografia. Confira também se as coordenadas das câmeras estão certas: coordenada errada inventa distância, e distância inventada inventa clone.
- Nenhum alerta, nunca
- Câmeras sem coordenada não entram no cálculo. É a primeira coisa a olhar, e ela não fica nesta tela — fica no cadastro do dispositivo.
- Todo mundo virou comboio de todo mundo
- Janela larga demais num ponto movimentado. Aperte a janela e suba o mínimo de ocorrências: hábito repete, coincidência não.
- O motor não aprendeu rotina nenhuma
- Falta histórico. O cálculo roda toda madrugada sobre o passado de cada placa, e instalação nova não tem passado — nas primeiras semanas todo veículo aparece como novo ou raro, e isso é o esperado.
- Um clone que eu sei que é erro de leitura
- Abra o dossiê e compare as duas fotos. Placa mal lida produz exatamente o mesmo sintoma que clone, e só a imagem separa os dois casos.
- Mudei os números e nada mudou
- O aprendizado de rotina roda de madrugada. Alerta de clone e comboio responde na próxima leitura; rotina, no dia seguinte.